sexta-feira, abril 21, 2006
Domiciliação
Qual a morada da exaurida metáfora:
o panteão d'esquecimento ou
a vida de todos os dias?
o panteão d'esquecimento ou
a vida de todos os dias?
quarta-feira, abril 19, 2006
Décima Quarta Entrada
Dizemos nós que no âmago da quotidianidade está a angústia do tempo em seu tropel e, no entanto, o dia-a-dia é o lugar do mesmo que se itera.
segunda-feira, abril 17, 2006
domingo, abril 16, 2006
XXIII
#1
Nós:
Não somos mais que uma casca de noz, quando não somos uma casca de nós.
Não somos mais que uma casca de noz, quando não somos uma casca de nós.
#2
Ouçam:
Quando um sonido se torna em zoado e este ascende a ruído,
ensurdecedor barulho que nos ofusca os sentidos
até às entranhas.
Quando um sonido se torna em zoado e este ascende a ruído,
ensurdecedor barulho que nos ofusca os sentidos
até às entranhas.
#3
Só o mais frágil perdura.
Que o tempo (incessante como ele só) trabalha contra toda a dureza adamantina.
Que o tempo (incessante como ele só) trabalha contra toda a dureza adamantina.
#4
Eis a gotícula.
Pinga que pinga até tocar no fundo das coisa.
Pinga que pinga até tocar no fundo das coisa.
#5
Para quê viajar, se nunca saímos de nós?
#6
Salta a pulga. Saltem pulgas, que vós nunca sereis humanos.
#8
Olhem, mas não vejam.
Que o horror nunca vos toque as pupilas.
Que o horror nunca vos toque as pupilas.
#9
O espaço é todo o espaço do Mundo.
Mas o tempo é o fiel das almas.
Mas o tempo é o fiel das almas.
#10
Sem a desgraça como poderíamos aprender a ser felizes?
#11
Gentil alma, não t'evoles, que ainda não chegou o teu tempo.
#12
O Ser, sem saber, é ditoso?
#13
A matéria toca-nos de muito perto.
#14
Será a natureza do enigma o horror e o medo?
#15
Embalamos a vida com todos os cuidados.
E, no entanto, somos nós que por ela somos tidos.
E, no entanto, somos nós que por ela somos tidos.
#16
Interrogação lapidar:
Se eu não existisse, ainda haveria Mundo?
Se eu não existisse, ainda haveria Mundo?
#17
Mesmo quando todas as palavras forem ditas, ainda poderemos escutar.
#18
O Sol é uma alegria de luz ou o horror da claridade?
#19
Vivam, mas não em contemplação.
Para que o tempo vos não ultrapasse.
Para que o tempo vos não ultrapasse.
#20
Se trabalhais de Sol a Sol, podeis viver durante a lua?
#21
Jamais digas a Palavra Final.
Pois, quem te garante que, uma vez proferida, não termina também o Mundo?
Pois, quem te garante que, uma vez proferida, não termina também o Mundo?
#22
Uma criança brinca e um velho morre.
Que tristeza quando os termos se invertem.
Que tristeza quando os termos se invertem.
#23
Nunca prometas, para que o Destino não contrarie as tuas honestas intenções.
sábado, abril 08, 2006
Décima Terceira Entrada
Triscaidecafobias à parte, vou fuçando nesta arte de dizer o que se pensa quando só resta a indiferença ou uma grande doença ...
... da pinha
... da pinha
domingo, abril 02, 2006
sábado, abril 01, 2006
Cinco Notas de Um [outro] Diário
#1
Tudo bem seria na constelação das coisas, não fora esta inermitenciazinha no estar. Hoje trabalho, amanhã ocío, farrapo sem préstimo. Agora faço, logo desfaço, com um cansaço derriçoso. Enfim, niilista assumido vou sendo consumido pelo tormento do fragmento.
#2
O tempo é um corcel que nos desgasta em tropel e o futuro foi ontem. Queríamos tê-lo apanhado, com ele brincado (a manusear com cuidado) mas tão depessa passou, ZUM, já está, nem visto só ouvido, nesse célere zunido.
#3
Os dias claros são para os outros.
Rebolemo-nos na diáfana cinzentude intricadamente ensimesmada da nossa existência tormentosa.
Olhai, o céu que se esvai em dourados, porque não olhais o céu que se esvai em dourados?
Rebolemo-nos na diáfana cinzentude intricadamente ensimesmada da nossa existência tormentosa.
Olhai, o céu que se esvai em dourados, porque não olhais o céu que se esvai em dourados?
#4
Um fresco sorriso de jovem contém uma indizível beatude. Se esse sorriso a nós fosse destinado, seríamos tocados pelo sopro do inefável?
#5
O vigor é uma miragem com que não ousamos sonhar. Do desalento, porém, somos mestres, pois que, a todo o momento, encetamos a vã demostração da prodigalidade da profunda resignação.
quinta-feira, março 30, 2006
terça-feira, março 28, 2006
domingo, março 26, 2006
sábado, março 25, 2006
Conselho
Tudo tem a sua ciência e cada um o seu mester. Deus saberá de todos, embora uns se julguem mais próximos do Senhor e outros abandonados do Seu amparo. E, no entanto, diz-se que a vida é breve para tão longa arte. Seja. Os mais sábios de entre os sábios dizem que a todo o lugar a sua coisa e que os desígnios do Altíssimo são insondáveis. Dizemos nós, que deveis procurar a vossa ocupação, que deveis percorrer o caminho dessa demanda.
Será vossa recompensa a certeza de que, encontrando a vossa vocação íntima, também sabereis o lugar que vos foi dado ocupar na infinitamente complexa ordem das coisas.
sexta-feira, março 24, 2006
quinta-feira, março 23, 2006
Na Modorra
Se eu faço sou palhaço, se não faço sou madraço. Se eu corro fic'asmático, se não corro sou fleumático. Se eu olho sou devasso, se não olho sou madraço. Se eu quero sou guloso, se não quero sou preguiçoso. Se t'agarro eu t'amasso, se não toco sou madraço.
E eu, madraço assumido, acho isso divertido. Já qu'estou sempre lixado e pra não ficar cansado deix'a vida passar ao lado.
E eu, madraço assumido, acho isso divertido. Já qu'estou sempre lixado e pra não ficar cansado deix'a vida passar ao lado.
terça-feira, março 21, 2006
domingo, março 19, 2006
Um Pouco do «Poema do Pouco»
(...)
(Qu'uma alma não se cansa, é só luz e esperança. É pura energia etérea desligada da matéria.)
sábado, março 18, 2006
quinta-feira, março 16, 2006
Alma, Alminha... Tanto Sofres, Coitadinha
Neurose por osmose qu'esta vida é uma necrose, da alma que quer calma, Sol e beleza mas só lhe resta a'spereza da pobreza d'existir, sem rumo nem aprumo, mendigando esmolinhas, que seja plas alminhas que lá estão pois, as que ficam, pra lá irão, na inexorável direcção da última libertação.
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