domingo, outubro 28, 2007

Há sempre o risco

Cartas Rasgadas II.

Não entendo, ou compreendo em pouca demasia, esse existir querendo, alor da vária miúda façanha, de seguir, querendo, de conseguir, querendo ainda, agora e para o que será d'inelutável advir;

sábado, outubro 20, 2007

O Anjo e a Obra IV: resumo

a) letra a letra, una só frase & desta o que ainda vier;
(assí se constrói o mundo).

b) D'aescrita ao desespero; (desterro, por mor de) letra após letra a caminho do nada;

c) policiando-me, ficar aquém é sina e senda da pura presentação de mim a mim mesmo;

d) porém, a diferença entre a boa e a não boa prosa é, como sabeis, o tempo;
(só a ele defiro a final jurisdição).

sexta-feira, outubro 19, 2007

O Anjo e a Obra III.

Toda a ideia anunciada, quando se tem de converter em palavra, corre - poucos o ignoram - sério risco de desvanecer, ficando aquém da promessa da dimensão salvívica de puro verbo banhado de luz; pois a escrita é no tempo e o aceno mera ideia, confusa em si no ainda-não-verbalizado. É nessa fase que o intelectivo-intuir, a intuição-relâmpago que tudo abarca e acolhe, mergulha ao cerne sem fim da máquina-roda do mundo.
Por outro lado, o discurso acena-nos em seu próprio fluxo vibracional, de tal modo e maneira que a uma palavra se deve, necessariamente, seguir outra, ou seja, a escrita estabelece a sua própria ordem de continuação requisitando-a e impondo-a ao autor, sem que este tenha completo controlo no devir da escrita. Esta autonomização coincide com a máxima de que a formação é a forma, e, bem assim, de que o conteúdo é a forma e também o inverso. O acto-escrita consubstancia a escrita-obra numa relação de imanência (de fusão, de imbricação) distanciada esquizofrenicamente da intenção originária, dos processos causais da sua formação. Permanece então o Anjo-daimon no devir criativo, original e originário, da obra.

quinta-feira, outubro 18, 2007

O Anjo e a Obra II: Por Vós Me Confesso

Bem vedes, a escrita é todo um mundo; alegria e alor de beatífica perfeição; aconchego e refúgio de alma em serenitude; a palavra é dom de estar em face daquele que vê e é puro e é bom, que doa e perdoa dispensando a luz; seus albialados mensageiros cantam essa essência de verbo e há geral regozijo que assim seja; o discurso, por tanto e pelo muito que é, transfigura: já não sou eu quem, aqui, escreve mas é o Espírito, eterno-pleno-impessoal, que, por mim, vos fala.

terça-feira, outubro 16, 2007

Da Escrita e Curação V.

Temos plena confiança em nossa escrita. Quem a não sabe, quer ou consegue apreciar peca por defeito de virtude de apuro estético.
Mais se adverte, rogando, que se não veja nestas palavras sinal de arrogância mas plenitude de serena evidência.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Da Escrita e Curação IV.

O escritor é ainda o primeiro curador do seu espólio e, por conseguinte, responsável pelo legado perante os vindouros.
Que eles acolham ou não a dádiva é - deve ser - indiferente para o artista, se morto.
Isto porque a escrita abre seu próprio espaço de curação na medida em que é futurante-ainda-em-vida.

domingo, outubro 14, 2007

Da Escrita e Curação III.

Por mais que haja desatenção e incúria dos contemporâneos, acreditamos que a escrita, com o seu tempo próprio, alcançará a superfície do interesse; e, com isso, o seu verdadeiro lugar.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Da Escrita e Curação II.

Escrever-para-a-gaveta é, por virtude dessa definição, a não-escrita; o não cumprir-se a escrita no mundo.
Admissível, tão-só, como fase preparatória da obra, a investir pelo olhar alheio do porvir.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Da Escrita e Curação I.

A escrita como ocupação vital só encontra o seu cerne quando se estabelece uma relação dinâmica com o universo intersubjectivo da crítica.

terça-feira, outubro 09, 2007

O Anjo e a Obra I.

tudo escrita; um mundo todo feito de escrita e por ela criado; só aí é possível buscar a liberdade; e liberdade é, antes de mais, a perfeição do Anjo anunciador, da alusão pura da metáfora não-expressa; é o intocado da preservação do que em si próprio repousa, preservado e estanque à crítica contemporânea - que, o futuro é indiferente ao artista, abrangido em afago pelo manto da morte;
Nesse retorno orbicular ao orbe dos sonhos em construção - sempre foi sabido - se encontrará a plenitude de ser o que sempre se foi para ser; encerrados, mas lúcidos.

segunda-feira, outubro 08, 2007

(s/ título)

Um diário trata da relação pensante com a vida; entre o sujeito que a sente-pensando e o mundo que, aqui, não é o orbe, mas os objectos-ideias possíveis no caos-turbilhão da sensibilidade-emoção, i.é., entre o devir temático no ensejo do momento, actualizado ao ritmo do dia-a-dia dos dias, e a necessidade de ordenação conceitual.